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sábado, 29 de janeiro de 2011

o corpo, a sombra, o reflexo, a distância insuperável



"Alguns autores defendem que a aventura de quebrar o espelho e passar para o outro lado seria o grande estereótipo do corpo, pois ele atuaria, ao mesmo tempo, como sujeito e objeto. Desse modo, exibir seria o contrário de representar: a raiva do espelho se traduz pela reconstituição de uma superespecularidade, o que retira a tensão entre representação e realidade. (...) O debate do corpo como objeto de arte centra-se na impossibilidade da representação, pois se retira o "re" da representação, restando a apresentação. A confusão entre apresentação e representação da performance se deve ao fato de ela existir não porque o objeto é um signo, mas porque ela se torna signo durante o seu desenvolvimento. O significado da performance reside na relação estabelecida entre emissor e receptor, pois é um ato de comunicação. Dessa maneira, a performance tenta resolver a contradição entre o homem e sua imagem especular, pondo a descoberto a distância real entre as convenções sociais e os programas instituídos; o corpo é tomado aí como elemento do processo artístico"
(MATESCO, Viviane. Corpo, imagem e representação. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009, p. 46-47)




sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O pedaço de verdade que o espelho me mostra já não vale.



O pedaço de verdade que o espelho me mostra já não vale.

Eu me rasgo, transbordo, me desmancho. Cadê eu na carne? Cadê eu no reflexo? Cadê eu na imagem que eu tinha de mim?

Me engulo de novo. Me enxergo por dentro. Como as minhas formas pra digerir um existir novo.

O que querem do meu corpo? O que eu quero? O que eu posso?


Ensaio 28/01/2011

Performers: Daniel Colin e Ricardo Zigomático

Vídeo: Thais Fernandes